As rampas do UTSM

A vontade de fazer bem obriga-nos a apertar o coração em cada ano até meados de Maio, quando tem lugar a edição anual do UTSM - Ultra Trail de São Mamede. O evento resulta de um pacto de sangue estabelecido em Agosto de 2011 por um grupo de membros do ACP - Atletismo Clube de Portalegre já bem entrados nos entas. Pessoalmente tinha muita experiência acumulada dos 18 anos em que fora director técnico da AADP e começava a ficar farto de não organizar nada. Em passo de corrida cada ideia fervilha e, se o grupo a tempera, pode resultar, no final, numa completa salada.
Foi assim que o UTSM surgiu. Treinos de Verão com início e final no municipal relvado, tardes mais que quentes, tardes de temperatura tórrida e as moleirinhas entraram em ebulição. Passo a passo fomos avançando em direcção ao vórtice em que se tornou as nossas vidas graças ao evento e ao que dele resultou. Algo grande, algo em grande. A sorte protege os audazes e o trabalho contínuo e a boa fé com que é realizado faz o resto.
Temos vindo a filigranar o percurso como aliás escrevêramos no início do ano neste mesmo blogue. Está quase perfeito, falta o quase. Está mais técnico, continua seguro. Tem mais desnível, continua "americano", permitindo progredir em corrida em praticamente 95% do trajecto. É um evento fácil, adequado para principiantes? Não, não é. Quando muito a distância mais curta, 25 Km em 2017, poderá ser adequada para quem goze de saúde e tenha um mínimo de preparação. De resto o UTSM já era, sempre foi, é e pretende continuar a ser um evento para gente bem envolvida no trail running que tem feito um percurso pessoal de aquisição da competência necessária para o realizar.
Este post surge no rescaldo da sexta edição realizada no dia 20 e na qual todos os 5 se empenharam  ao máximo para que fosse um sucesso. Pessoalmente estou agora a voltar à rotina, aos dias perfeitos, trabalho diário, horita de corrida ao fim do dia. Por trilhos, pela estrada, pela pista de sintético do estádio Arena do UTSM que é a nossa segunda casa. Esta é a nossa ultra. Viver apaixonadamente a corrida todos os dias. Uma corrida sem meta porque para nós o limite está sempre no horizonte e o horizonte fica para além da paisagem, naquele limbo azul-acinzentado que une o céu e a terra. Algo inatingível mas não porque não tentemos.
Sierra Fria - Desbalização
Mapa do UTSM 2017 por Erik Dahl

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