Mc Chouffe Maratona do Porto

Mais um Porto Sentido ao longo de 30 Km + 12 Km!
É um sabor, é um ambiente, é um sentimento e é a paixão. É um Porto Sentido, esta Maratona do Porto. Quem vem e atravessa o rio já tem tudo para se apaixonar. Basta a pronúncia e a genuinidade das gentes para nos catapultar para um ambiente no qual nos sentimos logo bem. Quando se atravessa o rio integrado num grupo de amigos que é, por sua vez, praticamente a nossa própria família, então estão a reunidas as condições para nos deixarmos quase ir para o céu mais uma vez.
O eufemismo é bem apropriado. Pela 3.ª vez corremos esta Maratona e isto de vai de mal a pior. Em 2012 morremos na recta da meta, em 2015 isso aconteceu a partir dos 35 Km mas nesse dia o calor foi o motivo e ontem sucumbimos praticamente após atravessarmos a ponte D. Luís no regresso de Gaia num dia perfeito para se conseguir um grande resultado. Ia não pior preparado que noutras ocasiões, bem hidratado, bem recuperado, bem dormido e muito bem acompanhado. E começamos bem 4.45 a 4.55 o Km que era o adequado.
Já afundado por volta dos 30 e muitos Km!
A verdade é que não ultrapassei as 150 PPM em toda a prova e na fase inicial tão pouco as 140! Avançávamos com a sensação de um treino leve. Prudência no início, fruição completa até à fatídica rampinha para a ponte D. Luís - destrói-me sempre a moral a magana - e na ida para Gaia já a sensação que "não vai dar" mas pode ser que dê. A partir dos 25 deixei um pouco a Vitorina para trás que ela levou com a marreta ainda um pouco antes - acabaria por sofrer uma queda aparatosa à saída da ponte que lhe deixou mais umas tatuagens nos joelhos e cotovelos - mas lá se recompôs e aos 30 já me alcançava. Voltou a parar um pouco mais adiante para uma necessidade imediata e depois para mim foi um pára-arranca a tentar controlar os cãibras e os espasmos musculares para conseguirmos alcançar a meta, porque não o conseguir estava fora de questão. Ela: que não volta a correr Maratona; eu: que não diga nada de que venha a arrepender-se; ela: que gosta de correr não gosta de sofrer; eu: olha lá que já estás inscrita para Sevilha; ela: que vou lá tirar fotografias; eu: espera aí mas é, que tenho que caminhar mais um bocadinho; e no meio disto tudo e muito mais os incentivos constantes de todo o público e a chegada à apoteótica zona da Meta em que ninguém consente que pares. À vista da passadeira vermelha e do cronómetro 3 h 40 m a constatação que "ainda não foi desta" mas na verdade acabar de mão dada com a Vitorina e conseguir uma foto como a que encima este post tem todo o significado do mundo!, mais quarto de hora, menos quarto de hora, mais 500 lugares à frente, 500 lugares mais atrás, não tem significado nenhum, a não ser a dor, a muita dor física necessária para terminar uma Maratona. Esta senhora merece respeito. Nada se lhe compara.
Ele há lá coisa mais linda!
Mas que faz a para mim desconhecida Mc Chouffe no título da mensagem? A Mc Chouffe é uma cerveja belga que acompanhou - em quantidade mais que adequada mas não teve nada a ver com o que se passou 12 h depois na parte desportiva :) - a bem famosa Guiness no fantástico jantar que reuniu quase todos os lobos presentes na prova na Trattoria Romana em Matosinhos. Estes momentos de partilha valem ouro podem crer. Antes tinham sido vividos no Pasta Party no edifício da Alfândega do Porto e foram sobretudo vividos no almoço pós prova em Santa Maria da Feira na casa da família do lobo Hélder Melo. Tanta gargalhada, tanta gritaria, tanta saúde física e psicológica a emanar de um grupo de pessoas loucas por correr no mundo. Corridas regadas com Mc Chouffe!? Sim! O paraíso existe!


Amigos! Nenhum bem terreno se lhe compara!

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