Valente trail

Javier bailando nos trilhos escorregadios do Valentrail
O afloramento granítico de Puerto Roque ergue-se majestoso na fronteira Espanha - Portugal entre os concelhos de Marvão e de Valência de Alcântara. É em torno deste acidente natural que decorreu ontem o Valentrail, uma competição desportiva de corrida por trilhos com uma extensão de 48 Km para os mais resistentes e uma outra de 24 Km para quem gosta de se despachar em menos tempo. Lá estivemos, que a nossa relação com os amigos do atletismo de Valência de Alcântara é longa e tem sido acrescentada nos últimos tempos via UTSM e do que desse evento resultou.
Mirian Cantero também bailou
Ontem não corremos, que desde finais de 2015 que garantíramos um lugar entre os cerca de 7000 concorrentes à Maratona do Porto do próximo domingo. Manda o Velho Testamento que na semana anterior a um evento como a Maratona se descanse. Bem sabemos que hoje em dia o Novo Testamento running manda correr, correr sem fazer perguntas e repouso é algo a que não se liga, mas nós somos da religião da corrida e vamos procurando fazer as coisas à maneira antiga. Bem, a verdade é que passadas as 50 primaveras o esqueleto também já não aguenta tanto esforço seguido.
A hora mudara na madrugada, as responsabilidades do dia-a-dia obrigam a levantar cedo e levantar cedo também ao domingo não vinha nada a calhar. Havia, no entanto, que estar em Puerto Roque antes da Partida da prova longa às 8 h da manhã. Má cara e nem falar um para o outro. O nascer do sol na serra de São Mamede foi aligeirando o semblante e lá encontramos, meio enregelados, a cerca de centena de concorrentes aos dois eventos.
Encontros com lobos nos trilhos da Sierra Fria
Há coisas que não se explicam. Como pode uma prova destas ter apenas 100 concorrentes quando vemos centenas e mesmo milhares a acotovelarem-se em eventos que nem de perto nem de longe se lhe comparam em qualidade organizativa e em beleza do percurso? É verdade que a oferta é desmesurada mas o boca a orelha tem que funcionar melhor nestes casos. E as centenas de corredores extremeños que enchem meias-maratonas mas deixam de lado os magníficos trilhos da Extremadura? Mas nomes como Kilian Jornet, Luis Alberto Hernando, Pedro Hernandez, Vanessa Ortega ou Núria Picas não voz dizem nada? Será que o facto de alguns dos vossos compatriotas constituírem referências do desenvolvimento do trail running à escala planetária não vos motiva mais, corredores extremeños, a correr por trilhos?
Quase 50 Km por trilhos em menos de 5 h não é para todos
Surpreendeu-nos, pela positiva, ver aparecer na cabeça da prova curta o Javier Alves, atleta com 13 m 11 s aos 5000 m, a bailar "por encima de los canchos" da sua terra mãe. Que o exemplo seja seguido. Estamos certos que em breve centenas não quererão outra coisa.Nesta actividade e neste artigo não coloco o habitual mapita STRAVA. Nem liguei o GPS. Fomos a El Pino e fomos às cercanias de Pitaranha bater umas fotos e incentivar todos e cada um dos concorrentes. Foi viver o evento com toda a calma numa outonal manhã que foi a pouco e pouco aquecendo, entre o som de um bica de água corrente e o chilrear constante da passarada. O Ismael, o Manolo e demais amigos da Organização ontem não puderam com toda a certeza viver assim a prova com toda a calma. Mas eu pude e desforrei-me.
Manhã relaxada na Sierra Fria

Cerca de 300 fotos do evento.

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