A dor ... no último Longo para o Porto

A selfie da má cara
A dor é mais dor quando é a alma que dói. As dores nas articulações, habituais nos dias húmidos e também nos secos em quem já passou os 50, são mais suportáveis. As dores na alma são-no menos, sobretudo quando, por uma questão de temperamento procuramos ocultar o que as origina e lhe acrescentamos mais dor. Os amigos aliviam a dor. Amigos estiveram hoje connosco no último Longo pró Porto. Saíram 33 Km em 3 h. Não foi o teste do Reguengo que a disposição não permitia tanto e a Maratona do Porto é já dentro de 2 semanas. Mas foi um belo longo, no sobe-e-desce da estrada de Alegrete. Alegrete!, como nos dói saber menos animada uma noite de Maio de 2017 em Alegrete. Voltemos à dor física. 15 h 30 e seis amigos (Sérgio, Paula, Manuel, Ceia, Vitorina e JC) partem do Estádio, a Arena da dor emocional, o palco de tanta magia, desta vez do lado de fora para rumar a São Tiago, à penosa subida para Caia,  a Porto da Boga, a Alegrete, a Vale de Cavalos e regresso. Tarde cinzenta, primeiras chuvas de Outono, que bela tarde de mudança de estação para desfrutar das dores da preparação para uma Maratona, a fantástica Maratona do Porto, um evento magnífico numa cidade fantástica, entre gente fabulosa. O ritmo foi demasiado simpático no início e apenas por brincadeira usei a verdasca para travar o Ceia que quer grupo mas só para mostrar-se sempre 10 metros à frente. O Manuel ia de mochila e de pé gretado, o Sérgio tinha saído de vela mas não verga e está sempre pronto. Gente do melhor, gente autêntica, gente que persiste. Sim, esta malta não desiste, enquanto dores físicas não impedirem, as dores emocionais curar-se-ão e encontraremos sempre uma maratona que nos apeteça correr. Aguentamos tudo e não é difícil que se nos brilhem os olhos perante uma tarefa ainda que árdua. Mas hoje a tarde estava chuvosa e cinzenta e nem o arco-íris duplo perto do pomar do Alexandre, nem o tonitruante zurrar do burro algures pelo Porto da Boga, nem os encontros inesperados com os amigos Morujo e Sérgio Palma aqueceram a nossa alma simples e genuína. Na selfie ficámos com má cara.

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