31 mas não de boca nas margens do Guadiana

Longo ao Pôr-do-sol em Badajoz
A minha cidade não tem rio. Devia ter e ficava-lhe bem! Em vez da imperceptível ribeira da Água da Prata que escoa aguaceiros de São Mamede no Inverno e mal se deixa identificar no Verão bem podia nela correr um belo rio da Prata que tivesse ao longo da história acrescentado os buenos aires do desenvolvimento aos belos ares que respiramos. Não há rio em Portalegre mas a pouco mais de 60 Km corre o doce Guadiana em Badajoz, local de peregrinação consumista aqui para a malta da serra. Não somos imunes e lá fomos também ontem. Mas havia um problema: 32 Km para correr num Longo pro Porto que já tardava.
Junte-se pois o agradável ao útil e percorramos então as margens do Guadiana na grande urbe extremeña. Um dois em um. Faz-se o Longo e descobre-se um pouco mais a cidade. Cinco e pouco e já partíamos da Granadilla rumo à margem. Desde logo a primeira constatação: não parecia apenas estar calor, estavam mesmo 30ºC disponíveis para nos fazer repensar o objectivo. Só que isso estava fora de questão e foi avançar até dar durante 2 h 48 m. Não foram os 32, foram 31, um grande 31, não de boca mas sofridos, que a Meia Badajoz >Elvas e o que se seguiu durante a semana ainda não tinha sido devidamente assimilado.
Das margens do rio o melhor e o pior. O melhor é o Parque do Guadiana, uma longa e reabilitada margem do rio entre a Ponte de Palmas e a Real, com vários bebedouros que bom jeito nos deram e que a população pacense aproveitava ontem para em grande número se passear em massa. Centenas de famílias e crianças com um verdadeiro ar feliz a alimentar dezenas de gansos no rio, a pedalar, a caminhar, com o típico bruá-á da oralidade espanhola que tanto contrasta com os muito menos ruidosos ajuntamentos lusos. Muito bom mesmo. É também por isto que lamento que a minha cidade não tenha rio.
Espaço agradável o Parque do Guadiana em Badajoz
Da ponte real até à ETAR de Badajoz e regresso por estradas rurais em não muito bom estado serviram para nos forjar o carácter e permitir instantâneos fotográficos - mas não fotografados - como as deslocações em grande número de bandos de aves. Ao pôr-do-sol são momentos que ficam como memórias futuras. Do lado de lá do rio ainda há menos para contar. Obras e mais obras, lixo por todo o lado, maus cheiros. Parece encontrar-se esta margem também a ser reabilitada o que a acontecer permitirá aos pacenses e vizinhança consumista mais uns agradáveis longos aos esses por entre  passeantes orgulhosos do seu espaço público. Quanto aos 32 viraram 31 - acabámos na pista da Granadilla à hora do encerramento - com a sensação de dever cumprido e com pena de não termos esperado mais 12 h para os fazermos pela fresquinha hoje em Portalegre. Mesmo sem rio e com mais desnível, o ar da serra e a calma do fim do mundo tornam qualquer sessão rural rotineira bem mais agradável que o que se revelou esta citadina e original longa volta pelas margens do Guadiana.
Já noite quando terminámos este Longo pro Porto nas margens do Guadiana.

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