Terrugem com travo a hortelã

Na estrada para São Romão (foto GDR São Francisco da Serra)
Mal entrei na Terrugem e vejo o pórtico de Meta já inflado ao fundo da Rua das Laranjeiras tive o pressentimento de que ia assistir a um parto sem dor. A anunciada I Corrida da Terrugem tinha esgotado as 150 vagas num abrir e fechar de olhos, tinham-se lembrado da Maria Vitorina para madrinha do evento e lá fomos meio empurrados por obrigação familiar, já que por outras obrigações familiares criáramos com a Terrugem uma relação emocional mais arranhada que a que nos provoca a leitura de algumas páginas do Valter Hugo Mãe.
Salpicos de emoções marcantes foi no entanto o que experienciámos nestes 10 Km entre Terrugem e São Romão e nas horas que se lhes seguiram. Desde logo a corrida. Simples, como devem ser as coisas bem feitas. 10 Km exactos, Partida e Chegada no mesmo local público, regresso a passar pelo centro da localidade, alguns Kms na estrada para São Romão como se exigia numa prova centrada na Terrugem. Água fresca onde se desejava que houvesse apenas água, bidon de regresso uma centena de metros adiante da marca previamente assinalada, sinal de que quem organizou se certificou que era necessária a mudança em contexto para não haver falhas na distância, Km final  pela incontornável Rua da Igreja onde ainda moço bebi água da fonte mas nunca por lá me perdi de amores, como estipula o presságio.
ACP na Terrugem
A corrida foi benzinha, sub 45 minutos apesar dos sobe-e-desce e dos quase 30ºC, comecei atrás da Maria, passei para a frente da Maria mas acabei por acabar lado-a-lado com a Maria. Por voltas e voltas que se dê dos 5 estes 2 têm a sina de acabar lado a lado. Após a corrida os pormenores. Banho num estimado estádio de futebol, alindado e asseado - onde é que eu não consigo ver isto? - e almoço de todos os envolvidos no evento bem sentado num centro de convívio social, ao lado dum mercado municipal e duma piscina municipal. Muito dinheiro esturraram as autarquias na última década mas nalgumas delas o investimento luz!
Vitorina a voar no sobe-e-desce alentejano (foto GDR São Francisco da Serra)
A sopa sabia a hortelã, o queijo fresco repousava em cama de agrião, o vasculhado de loureiro porco no espeto luzia ao lado de mais não sei quantas carnes grelhadas, o tinto escorria de colheitas de eleição e só as espetadas de fruta tinham melancia a mais que podia coalhar no estômago. O Voz Amiga entoou o passarinho e várias outras melodias que nos enchem a alma alentejana muito antes das 4 da madrugada e o bailarico irrompeu prometedor com o "ainda te lembras amor como tudo começou?" Até os discursos produzidos fizeram soltar a lágrima ao Ceia e não só, quando evocaram, porque "deu emprego no restaurante El Cristo a muitos terrugenses" o homenageado póstumo Manuel Mendão. Se toca a serviço público, feito por privados a outros com gratidão à mistura, já se sabe que também se me solta a lágrima. Por isso e por ter conseguido vir da Terrugem com bom clima, associando a simpática aldeia a bonança e não a tempestades, fica este um dos cinco - julgo que dois dos cinco - imensamente grato ao Francisco Reis, ao José Infante e a todos os que ontem concretizaram esse sonho de Natal que foi o de fazer acontecer uma corrida - sem ser de toiros - na Terrugem. Saíram da praça em ombros, aclamados por toda a aficíon.

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